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Com o término da Taça Corcovado e uma campanha muito aquém da esperada, a diretoria do Rio São Paulo decidiu demitir o Gerente de Futebol Marcelo Silveira.

O dirigente concedeu uma entrevista ao Cariocado, na qual revelou quais foram os erros cometidos pela gestão do clube e também os motivos que culminaram em sua demissão.

Marcelo, que fazia parte da diretoria há 6 anos, (entre idas e vindas) começou falando sobre os bastidores da campanha vitoriosa de 2018, que terminou com o título da Série B2. Também explicou porque na temporada atual de 2020 o Rio São Paulo não teve um bom desempenho na Série B1, competição que disputou pela primeira vez na sua história:

"Ano passado eu construí todo o projeto de futebol, trouxe os investidores para dentro do clube e nesse ano se acharam no direito de participar na montagem do elenco. Foi catastrófico, porque sem experiência nenhuma, tiveram muitos erros, não escutaram tudo o que eu passei e isso se tornou fato determinante para o não-acesso e também para o descenso". Disse o ex-gerente

Marcelo também revelou que na campanha do acesso, a participação dos investidores foi diferente e que por isso o clube teve êxito.

"Futebol não se resume só a dinheiro. Em 2018 eles fizeram o papel deles, que foi investir e comigo no comando do futebol, tivemos o acesso. Nesse ano eles quiseram inverter e nós tivemos o descenso," explicou Marcelo.

O agora ex-dirigente de futebol da equipe do bairro de Vila Valqueire, comentou sobre o tempo de experiência que tem na função e lamentou que o insucesso do Rio São Paulo na temporada, foi atribuído a ele pelos investidores, que o demitiram ontem.

"Eu, com 30 anos de experiência, 10 como executivo de futebol, trouxe esses mesmos investidores para dentro do clube e ontem eles me demitiram por erro deles. Por falta de capacidade deles e também por não me consultar em fatos determinantes, como na troca de treinadores e na montagem do elenco", lamentou.

Silveira também revelou que não concordava com o amadorismo da gestão dos investidores e que foi execrado dentro do clube por não compactuar com algumas decisões polêmicas:

"Não compactuei com nada de errado que foi feito esse ano. Desde o não pagamento da taxa de transferência da FERJ, desde entrar novamente com recurso contra a FERJ. Achei errado e fui crucificado dentro do clube por isso," revela o executivo

Apesar de não fazer mais parte da diretoria, o gaúcho Marcelo Silveira, de 49 anos, demonstra gratidão ao Rio São Paulo. Considera o presidente Rafael Santos um amigo, assim como sua família. Porém não foi possível a permanência, porque os investidores tem um contrato de participação no clube.

"O presidente Rafael Santos se colocou solícito, entendeu, até porque o presidente sabe que quem levou esses investidores fui eu. Existe um contrato. Nós vamos esperar o contrato dos investidores terminar e se for o caso de retornar ao Rio São Paulo, eu retorno, senão vou seguir minha carreira com tranquilidade. O que eu quero dizer é que o presidente Rafael Santos é um amigo, e toda sua família. Me proporcionou 6 anos de trabalho no Rio São Paulo e o comando total do trabalho no Rio São Paulo. Sou eternamente grato," comenta Marcelo Silveira.

O diretor executivo, afirmou que ainda tem uma carreira para tocar no Rio de Janeiro e que o trabalho no Rio São Paulo abriu muitas portas para ele.

"Depois da Copa Rio de 2015 no Rio São Paulo, fui convidado para dirigir o Boavista na Série D do Brasileiro e na Copa Rio. Posteriormente fui para o Duque de Caxias através do Rio São Paulo. O mesmo trabalho que iniciei em 2015. Do próprio Rio São Paulo fui fazer um projeto de 6 meses no Irã. Fui levar um legado do futebol brasileiro para lá... então o Rio São Paulo é minha casa", conta o gestor.

Marcelo Silveira revelou que vai aguardar para ver o que vai acontecer na carreira. Tem recebido propostas e continuará torcendo para o Rio São Paulo, que terminou a Taça Corcovado em oitavo no grupo B e em décimo segundo na classificação geral do Campeonato Carioca da Série B1. Em 2021, o Rio São Paulo segue disputando a Série B1, que passará a ser a terceira divisão carioca.

Presidente Rafael Santos e seu pai levantam a Taça da B2 com Marcelo Silveira

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Texto de Pedro Sodré

Matéria publicada em 26/11/2020, às 17:30

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