Foto: Eduardo Araujo

Depois de um ano cheio de altos e baixos, a Cabofriense se prepara para a disputa da Seletiva de 2021, visando uma vaga na fase principal da Série A do Carioca. A temporada de 2020 começou muito mal, com o Tricolor Praiano na lanterna do seu grupo da Taça Guanabara e também da Taça Rio. A equipe somou apenas três pontos, o menor entre todos os competidores. Esse desemprenho fraco fez com que a Cabofriense fosse obrigada a disputar a Seletiva de 2021 para ter qualquer chances de voltar a elite do futebol carioca. 

O mais curioso, porém, foi a recuperação durante o próprio ano, o que lhe garantiu a melhor campanha entre os times do Rio de Janeiro na Série D. A equipe de Cabo Frio foi a única a se classificar para a fase de mata-mata. Depois de dois jogos duríssimos contra o São Luiz-RS, a Cabofriense acabou eliminada, mas teve uma campanha muito digna. 

Para entender um pouco mais dessa temporada, o Cariocado entrou em contato com a diretoria da equipe, através do Gerente de Futebol Lucas Magalhães, que gentilmente concedeu seu tempo para responder algumas perguntas. Ao analisarem o desempenho do clube no ano de 2020 e essa diferença entre o Carioca e a Série D, a diretoria disse:

"Essa oscilação de desempenho (ótimo carioca em 2019, péssimo em 2020, Série D muito boa) é normal e esperado pelo planejamento do clube. Óbvio que não é o que queremos, mas é o risco que se corre (e não podemos desprezar essa possibilidade) quando se monta um elenco bastante reduzido, mas dentro de um planejamento financeiro. Dentro do nosso orçamento, para que a gente consiga pagar os aluguéis, contas de luz, água, restaurante, padaria, impostos, acordos trabalhistas, refis, advogado, contador,  despesa de jogos (borderô, ambulância, etc), exame de Covid, custos de concentração/ viagem fora (ônibus, hotel, etc), dentre outras despesas, minha verba de folha não consegue passar de 30% do meu custo total. É o que falamos: não sabemos onde vamos chegar, mas sabemos que tudo que foi acordado será pago."

Segundo a direção, são mais de dois anos nesse projeto de reestruturação do clube, para que os investimentos aumentem no longo prazo, mesmo com essas variações em uma mesma temporada. Essa cultura que vem sendo implementada ajuda a criar uma imagem melhor do clube, trazendo não apenas mais receitas, mas novos atletas de qualidade, sem precisar fazer loucuras. Apesar de reconhecer que o ano teve alguns erros, a diretoria do clube também entende que houve muito aprendizado e tem a certeza que o clube continua no caminho certo da profissionalização. 

Quando perguntados sobre contratações, visto que outros clubes da Seletiva, especialmente Americano e America, estão se movimentando bastante, a diretoria da Cabofriense deixou claro que está sim buscando aprimorar a equipe, mas sem alarde. Recentemente, o clube fechou com Rogério Corrêa para comandar a equipe em 2021. Em relação ao elenco, a base da Série D deve ser mantida, com reposições pontuais e criteriosas, devido ao orçamento limitado. 

A direção também falou sobre a disputa da Seletiva, afirmando que a competição é de extrema importância, no curto prazo, para a Cabofriense. A justificativa se dá com base no que a equipe pode arrecadar com a verba de TV, caso se classifique para a fase principal da Série A do Carioca. Essa receita é de extrema importância para os times de menor investimento do Rio e pode definir os rumos do ano de 2021.


Texto de Hugo Lage
Matéria publicada em 23/12/2020 às 13:25 

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