Divulgação: Americano FC

Faltando menos de uma semana para o início da Seletiva, as equipes envolvidas estão totalmente concentradas para a disputa de uma competição muito difícil e com adversários do mais alto nível. O Americano é um desses participantes e se reforçou bastante para conseguir se manter na elite do futebol carioca.

Para cumprir com esse objetivo, a diretoria do clube trouxe o treinador Caé Cunha, profissional que conta com passagens por vários clubes, exercendo uma variedade de funções, e que agora ocupa o cargo de técnico do elenco alvinegro. Visando conhecer melhor o profissional, o Cariocado fez uma entrevista exclusiva com ele. Nela, falamos sobre sua carreira, reforços do Americano, os desafios da Seletiva. O treinador também comentou sobre a sua forma de trabalho e como pretende implementar no Alvinegro.

A entrevista na íntegra está logo abaixo:

Sua carreira no meio do futebol é bastante extensa, com passagens como olheiro e auxiliar técnico de clubes renomados como o Paysandu, Guarani, Ceará, Fortaleza, entre tantos outros. Como técnico, ainda são seus primeiros passos na função, mas que conta com bons predicados, tanto que o Americano se interessou na sua vinda. Qual foi sua reação a proposta da equipe Alvinegra, uma das mais tradicionais e importantes do futebol interiorano do Rio?

"É uma honra ter sido escolhido para trabalhar no Americano. É um grande clube do estado do Rio, um dos maiores do interior, com várias conquistas dentro do futebol carioca. Já são três anos na Seletiva e agora com a mudança de organização proposta pela FERJ, provavelmente será a última Seletiva. São seis clubes para apenas uma vaga, disputando a chance de jogar a Série A1. Nela, seriam os grandes do futebol carioca e os mais bem ranqueados. Esperamos estar nesse grupo de elite e, posteriormente, temos a pretensão de ficar entre os quatro melhores do Campeonato Carioca. É um desejo da diretoria, está no planejamento do nosso diretor executivo e esperamos conquistar esses objetivos. Sabemos da importância da competição e também temos ciência que a torcida do Americano está muito sedenta. Porém, é muito importante o apoio deles e podem ter certeza que o time sempre vai entregar o seu máximo em campo, vai lutar, guerrear e doar a alma. Mas, além disso, teremos um time organizado dentro de campo e esperamos concretizar todos os objetivos da diretoria, jogadores, staff e torcedores. 

Com relação aos trabalhos anteriores, esperamos trazer nossa experiência para a competição. Fizemos parte da comissão técnica que teve acesso em todas as divisões do futebol brasileiro, algo inédito. Conseguimos subir da D para a C com o Salgueiro-PE, em 2013. Também tivemos um acesso para a Série B com o Guarani-SP, em 2016. E tivemos outro com o Ceará, da Série B para A, esse em 2017. Com essas experiências nas divisões do futebol brasileiro, procuramos entregar um bom trabalho no Americano. Nossa comissão técnica conta com figuras muito experientes, nomes antigos aqui da casa e que já ajudaram muito, como também pessoas recém chegadas em funções diversas. Nossos preparadores, auxiliares, psicóloga, entre tantos outros, formam uma equipe muito boa. Também contamos com um executivo de futebol e equipe de logística muito bons. O ambiente é muito harmônico e esperamos alcançar os objetivos propostos."


O clube se movimentou bastante para a nova temporada, com vários reforços e subindo garotos da base. Muitos dos que vieram foram recomendações suas de trabalhos anteriores, fazendo uma mescla interessante de jogadores jovens e outros mais calejados. Como se dá a relação com a diretoria do clube sobre as contratações?

"Nós trabalhamos a montagem do elenco junto com a pré-temporada. Não começamos com todos os jogadores. Chegamos no Americano e a diretoria tinha a ideia que nós observássemos os garotos da base, enquanto chegavam jogadores contratados em datas diferentes. Apesar do bom trabalho e do tempo, essas chegadas em dias diferentes poderiam gerar pequenas dificuldades. Mas superamos isso com dedicação e mobilização. 

Algo que me surpreendeu positivamente foi a rápida compreensão do grupo da nova metodologia e das ideias de jogo. Evidente que quanto mais rodagem, mais jogos dentro da competição, a nossa expectativa é de crescimento. Começamos avaliando muitos atletas da base, profissionalizamos aqueles que adquiriram os conceitos e princípios propostos com mais rapidez, e os demonstraram nos treinamentos. Trouxe também alguns jogadores que trabalharam comigo, a diretoria indicou mais alguns e nosso executivo de futebol, o Luciano Portela, adquiriu outros. Então a montagem foi feita dessa forma, de maneira integrada, onde sempre avaliava os jogadores, pesquisando, observando jogos anteriores e suas características. Isso tudo foi feito sempre de maneira harmoniosa, com muito diálogo e entendimento entre todos. No momento, contamos com 30 a 32 jogadores, sendo quatro goleiros. Esperamos que todos eles aproveitem essa oportunidade e continuem crescendo. "

Quais são as principais dificuldades, na sua opinião, a serem enfrentadas na Seletiva?

" O Americano conta com uma estrutura muito boa, com seu CT e as instalações de alto nível, bem equipadas. A atual administração faz um bom trabalho e demonstra que o clube está no caminho certo. Porém, o mando de campo é uma dificuldade. Ainda sem poder contar com nosso próprio estádio, nossos jogos serão em Cardoso Moreira. Há uma distância relevante entre Campos e Cardoso. A diferença das dimensões do gramado onde treinamos e onde jogaremos também é uma dificuldade. Ainda assim, nós fazemos muitos treinamentos em campo reduzido, o que diminui esse problema. 

Outra questão é o calendário apertado, com jogos sábado e quarta. Fizemos uma boa pré-temporada e agora veremos como será a recuperação dos jogadores, pois não terão uma semana completa para isso e também treinar. Temos uma base forte de ideia de jogo e condicionamento físico para minimizar problemas da tabela. E a dificuldade dos nossos adversários, clubes muito tradicionais. Mas é a competição que vamos enfrentar. Quando o desafio é grande, a oportunidade é imensa. Vamos tentar superar qualquer nível de dificuldade e impor nosso modelo de jogo dentro e fora de casa."

 Qual a sua projeção para o Americano nessa temporada?

"A projeção do Americano nessa temporada de 2021 vai depender dos resultados. Temos os objetivos propostos, o planejamento. Acreditamos que, no primeiro momento, o elenco dará as respostas, mas precisamos buscar os resultados para nos projetar. A ideia é vencer a Seletiva, mesmo com todas as dificuldades e respeitando todos os adversários. São equipes muito capacitadas, muitas que já tiveram grandes momentos na elite do estadual, a agora chamada Série A1. 

A princípio, queremos nos manter nessa divisão, algo que só conseguiremos se ganharmos a Seletiva. Depois disso, queremos disputar o restante do Carioca com os clubes de maior investimento e os melhores do ranking, nos mantendo entre os quatro melhores ao final. Essa projeção, porém, depende dos resultados que forem obtidos ao longo da competição. A diretoria do Americano é ambiciosa e, nesse momento, acredita que o investimento atual pode gerar crescimento ao clube, retomando os caminhos de glórias e garantindo uma vaga na Série D do futebol nacional. "

Para encerrar, como você descreveria seu estilo de jogo?

"Dentro da nossa metodologia de trabalho, temos um sistema tático que usamos mais vezes. Temos também variações que podem ocorrer durante o próprio jogo. Há uma ideia e proposta de jogo central, mas que pode se adaptar de acordo com cada adversário, e está extremamente atualizado com o momento do futebol brasileiro e internacional. Procuramos fazer a melhor compactação possível com e sem a bola, também buscamos o desenvolvimento pleno das ideias durante as cinco fases do jogo: ações ofensivas; postura defensiva, transição defesa-ataque; transição ataque-defesa; e bolas paradas. Temos uma ideia e conceitos bem consolidados para usar durante esses momentos.

As esquematizações táticas, o que podemos considerar e praticar nos treinamentos, jogadas pré-determinadas, posicionamentos pré-estabelecidos que podemos adaptar de acordo com o que observar dos adversários. Tudo isso é muito importante na nossa metodologia. A nossa estratégia, apesar de haver uma base, é também maleável de acordo com quem enfrentamos. Mesmo com todas as nossas ideias atualizadas e estabelecidas, essa observação é fundamental para que possamos sempre nos adequar e buscar formas de explorar possíveis benefícios no jogo. 

A equipe conta com a posse de bola, mas não dispensa jogadores rápidos que ajudem tanto na transição ofensiva quanto defensiva. Como já comentado, acreditamos muito no potencial dos atletas em assimilarem tudo isso, visto que já demonstraram essa capacidade durante a pré-temporada. Agora entraremos na competição, na qual os jogadores do elenco sempre estarão disputando suas vagas. A escalação será feita com base no que observarmos do adversário, suas fraquezas e as possibilidades. Nossa mentalidade é que o jogo da nossa vida é sempre o próximo, onde precisaremos buscar os três pontos.

Com a bola, será um time ofensivo, mas que no momento em que perder a bola, sabe bem sua proposta defensiva. Teremos uma atitude específica para cada situação do jogo, sempre trabalhada antes. Na hora que perdermos a bola, caso não encaixe a marcação alta, nos postaremos no campo defensivo, preparando para possíveis contra-ataques. Não podemos abrir mão do elemento surpresa contra nossos adversários jogo a jogo".

A estreia do Americano na Seletiva será no sábado (16), quando enfrenta a Cabofriense. O jogo acontecerá no Estádio Antônio Ferreira de Medeiros, o Ferreirão, em Cardoso Moreira, às 15h. Para chegar até a fase principal da Série A, o clube precisa terminar em primeiro na Seletiva.


Texto de Hugo Lage
Matéria publicada em 13/01/2020 às 10:00

Comentários
* O e-mail não será publicado no site.